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  • Foto do escritorJoana Preto

O que diz a nossa Pele? Apresentação na EDOL para Enfermeiros!

Apesar de ter passado um tempo (pouco!) desde a minha apresentação nos Laboratórios EDOL em Abril, ainda vou a tempo de partilhar esta iniciativa tão importante desenvolvida para enfermeiros!


A EDOL, para quem não conhece, é uma empresa Portuguesa. EDOL significa Empresa de Dermatologia e Oftalmologia de Lisboa. É a responsável da gama ATL, tão conhecida entre todos os enfermeiros e outros profissionais de saúde que cuidam, bem como de cuidadores informais.

Imagem: https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/detalhe/edol-investe-25-milhoes-em-nova-fabrica


ATL significa Ar, Tempo e Luz, que são os três principais agentes naturais responsáveis pelo envelhecimento da pele.


No dia 1 de Abril de 2023 a EDOL teve a iniciativa de promover, entre todos os enfermeiros, a literacia no cuidado à pele. E eu tive a honra de ser convidada para partilhar o meu conhecimento e experiência profissional. Esta última tem um grande peso em tudo o que partilho, pois a teoria sem a prática de nada serve. Por sua vez, a prática ajuda a aprimorar a teoria.

Os objetivos desta palestra, que se intitulou "O que diz a nossa pele", teve como objetivos:


.Compreender a função da pele e anexos;

.Conhecer as propriedades, vantagens e desvantagens dos dermocosméticos;

.Compreender os aspetos determinantes para a escolha de determinados produtos.


Com este artigo pretendo fazer uma breve passagem da primeira parte da minha apresentação, para que quem não esteve presente possa relembrar alguns cuidados ou acrescentar ao seu portfólio de conhecimentos, de forma a enriquecer a sua atividade.

Na prática clínica diária o cuidado da pele é tanto óbvio quanto subtil. É o primeiro órgão que avaliamos, no qual obtermos informação valiosa para a nossa anamnese, porém, tão desafiante de cuidar e tratar.

Lembremo-nos que a pele assume o seu papel primordial de proteção. Contudo, pela sua evidente VISIBILIDADE, pele assume uma função estética, de comunicação e expressão, além de informação sobre saúde no geral. Assim, e idealmente, os cuidados devem passar pela prevenção, mas para que isso seja possível é necessário saber o que usar, quando e porquê.

Nesta palestra de hora e meia, além da bordagem da anatomofisiologia do sistema tegumentar, foram debatidas algumas alterações cutâneas mais frequentes, e cujos cuidados passam pelos enfermeiros. Não falei de patologias, mas de toda a nossa intervenção que se baseia na sua prevenção, gestão e recuperação. E esse é o nosso papel.


  • A xerose é muito frequente, essencialmente nos casos de desidratação, maus cuidados com a pele ou doenças sistémicas que afetem a sua perfusão. Não só a ingestão de água é importante, como também a aplicacção tópica de hidratantes (cremes e loções).


  • A Diabetes Mellitus é uma doença que tem também as suas manifestações na pele. O pé diabético é a consequência da neuropatia, e a descamação da pele dos membros inferiores é também frequente. Promover o autocuidado com a pele das pessoas com diabetes é primordial. Fomentar a observação dos pés e dos espaços interdigitais, bem como uso de cremes de rápida absorção e que não potenciem a humidade nesta zona.


  • A dermatite atópica é também muito frequente, quer nos cuidados primários como secundários, e todos sabemos que a hidratação da pele é ESSENCIAL. Devem ser priveligiados os produtos sem fragrância.


  • Status pós Erisipela costumam ser muito descamativos. Não se devem "arrancar" as crostas ou pele seca. Podem-se usar-se produtos emolientes para ajudar a destacar. O óleo de amêndoas doces é muitas vezes usado como hidratante, e efetivamente ajuda a hidratar a pele pelo efeito oclusivo. Mas nestas situações é desaconselhado. Pode aquecer a pele que já se encontra mais quente, sendo o calor um dos sinais do processo inflamatório.


  • A oncologia, por sua vez, está presente em todas as unidades de saúde, independentemente da especialidade do serviço em questão. É necessário olhar para a pele do doente oncológico como um órgão frágil. Adequar a temperatura da água, evitar fricção, hidratar e proteger. Essencial é também o trabalho multidisciplinar, isto é, com dermatologistas e oncologistas.


  • Situações de toxicodermias são muito prevalentes, e numa fase tardia dos seu tratamento a barreira cutânea continua ameaçada. Os hábitos de higiene, da pessoa em questão e de quem cuida, tal como a hidratação, são cruciais. Reações alérgicas e lesões herpéticas ou fúngicas podem ter a mesma apresentação na fase de recuperação e carecem dos mesmos cuidados.


  • A pele do bebé, mais fina, frágil e imatura carece de limpeza suave e hidratação. Escolher texturas ligeiras, fáceis de espalhar e não oleosa (para evitar acidentes também, como escorregar-nos das mãos). Quanto ao eritema da fralda são importantes os cuidados de minimização da exposição ao fator desencadeante - pode ser a humidade provocada pela urna ou fezes, ou o próprio material da fralda. A limpeza suave, hidratação e proteção com um creme barreira são os cuidados de primeira linha. Casos se note evolução para lesões satélite, é necessário avaliar a situação por um especialista.


  • Os mesmos cuidados descritos anteriormente são válidos para a dermatite associada à incontinência, frequente nas pessoas que sofrem com incontinência.


  • A pele da pessoa idosa é habitualmente mais fina espessura, menos firme e apresenta discromias. Apresenta menor hidratação, imunidade frágil, cicatrização mais lenta e fragilidade capilar. O uso de cremes hidratantes ajuda no reforço da barreira cutânea e evita a perda de água transepidérmica.


  • Nas pessoas acamadas, ou sujeitas a imobilidade, há uma maior área de contacto da pele com o leito, e por conseguinte aumento da humidade. É de evitar, por isso, cremes untuosos. Optar pela hidratação tópica com cremes fluidos e de rápida absorção irá certamente melhorar o potencial de humidade que se cria.


  • No âmbito das queimaduras, sabemos que podem ser provocadas pela radiação ultravioleta, térmica (calor ou frio), química, elétrica, fricção ou pressão. O uso de cuidados dermocosméticos só têm indicação para ser usados numa queimadura de primeiro grau e na fase de cicatrização da lesão da pele. Os cuidados a ter são higiene com água tépida, geles com tensioativos suaves que respeitem o pH fisiológico da pele e a hidratação tópica, em camadas.


  • A pele da grávida também é alvo de cuidados, já que sofre estiramento devido à variação de peso e ao inerente crescimento uterino, e tem propensão para o aparecimento de hiperpigmentações. Deve ser promovida a hidratação tópica e em camadas duas vezes por dia, bem como a proteção solar.


Obrigada aos laboratórios EDOL por esta oportunidade tão gratificante, e a todos os colegas presentes nesta manhã!


A gama ATL está presente como cuidado dermatológico em todas as áreas referidas, sendo sempre uma referência para todos os profissionais e pessoas cuidadas.


Deixo em seguida algumas fotografias que registaram este dia, com autoria da EDOL.










Obrigada por ler!

Joana











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