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  • Foto do escritorJoana Preto

Mulheres que m'inspiram | CATARINA RIBEIRO

Comecei a falar com a Catarina pelo início do ano 2022. Trocámos mensagens, telefonemas e áudios pelo WhatsApp com o objetivo de acertar as pontas para um daqueles que viria a ser um dos melhores projetos da sua vida profissional! Mal comecei a perceber o que aí vinha (um congresso!) fiquei entusiasmada! Primeiro por estar a colaborar na sua organização e, verdade seja dita, também ver nascer de algo inovador em Portugal. A Catarina conquistou-me logo. De voz doce, timbre baixo e humilde, trabalhadora e destemida, inspirou-me desde o início. Quando nos conhecemos pessoalmente só pude confirmar tudo o que imaginava.

A Catarina sabia o que queria, sabia o impacto positivo deste projeto na vida de todas as pessoas e, mesmo não sabendo quais as dificuldades que iria encontrar, ela só foi com a sua certeza e receptiva a lidar com as limitações que encontraria. Foi isto que me fez embarcar com ela, porque eu identifico-me, e muito!


A Catarina é uma das mulheres que eu quero enaltecer. Faço questão de informar, a quem ler este artigo, da mulher maravilhosa que é. E por isso mesmo, deixo-a escrever por si!


1. Como surgiu o gosto pela medicina e o interesse pela oncologia?

Ao longo do meu percurso escolar e académico fui percebendo que havia várias coisas que eu priorizaria na escolha de uma profissão e, futuramente, especialidade. Entre elas, ser uma área em permanente evolução e atualização, na qual pudesse integrar investigação com a clínica, que não fosse demasiado específica (limitada a um órgão ou sistema) e na qual conseguisse estabelecer uma relação terapêutica com os doentes, com continuidade e seguimento no processo terapêutico. Para além disto, desejava estar em permanente ligação com outros colegas de outras especialidades, com integração das várias disciplinas, assegurando, assim, os melhores cuidados para o doente.


2. Trabalha, também, com ensaios clínicos na área da oncologia. Como surgiu o interesse pela investigação?

O meu interesse pela investigação surgiu desde cedo, ainda no ensino pré-graduado, o que motivou a realização de estágios e cursos durante o ensino secundário, nomeadamente em matemática aplicada, astronomia, neurociências e investigação em bioengenharia. Durante a faculdade, pelas várias disciplinas pelas quais fui passando, pelos cursos, estágios e intercâmbios que fiz em áreas diversas fui conseguindo perceber quais as especialidades em que eu melhor me enquadraria e nas quais me veria no futuro, longo prazo. A escolha óbvia foi a oncologia. Sendo uma área em constante expansão, mais recentemente, na última década, tem-se tornado numa das áreas da medicina com mais investigação, inovação e progressos.


Não menos importante, nela a relação médico-doente é fundamental no processo terapêutico, e é extremamente satisfatório para mim o impacto que conseguimos ter tanto em resultados clínicos (por exemplo, no prognóstico), como nos Patient Reported Outcomes, incluindo sintomas e qualidade de vida dos doentes. Na oncologia é, para mim, também deveras aliciante o permanente trabalho em equipas multidisciplinares, a discussão da abordagem e tratamento caso a caso em reuniões com a contribuição das diversas especialidades.


Foi com esperança de um futuro em permanente evolução, com confiança de ter cada vez mais a oferecer a quem se depara com uma doença oncológica, e ânimo de poder vir a contribuir para melhores cuidados através de investigação e permanentes melhorias na prática clínica, que iniciei o percurso nesta especialidade.

3. Qual tem sido o seu percurso de vida desde que escolheu esta especialidade?

Desde cedo no meu percurso académico que acredito numa perspectiva integrativa ao nível da saúde, e que não será possível prestar os melhores cuidados em saúde se não virmos cada pessoa como um todo e no seu contexto, com os seus hábitos. Deste modo, a nutrição, exercício, bem-estar mental, emocional e social sempre foram preocupações presentes na minha prática. Em 2015 tive o privilégio de iniciar o Mestrado em Cuidados Paliativos no King´s College of London, no âmbito do qual desenvolvi o primeiro ensaio clínico em exercício em oncologia em Portugal. Posteriormente, continuei para o doutoramento sob o mesmo tema. Realizei também um curso de 2 anos em investigação clínica da Harvard Medical School - Portugal, que muito contribuiu para solidificar os meus conhecimentos em investigação clínica e evidência científica. Por este meu interesse e especialização em investigação e em oncologia, recebi um convite para uma posição em investigação em oncologia numa das maiores CROs mundiais, que aceitei em 2020 e me levou até à Alemanha. O meu interesse pelas áreas de estilo de vida complementares aos tratamentos hospitalares continuou pelo que continuo a dar consultas nestas áreas e foi, também, o que me levou a reunir a equipa maravilhosa que constitui o AIM Cancer Center.


4. A emigração para a Alemanha foi uma vontade ou uma necessidade?

Ambas! Por sentir que aqui em Portugal nunca teria a oportunidade que abracei ao ir para lá. Depois de ter essa experiência lá já me foi possível regressar mantendo uma posição semelhante e tão interessante como esta de contribuir para o planeamento e assegurar a coordenação e supervisão médica dos ensaios clínicos com medicamentos inovadores em oncologia à escala mundial.

5. Qual foi a sua motivação para fundar o AIM Cancer Center?

Como referi antes, acredito que quem passa por um diagnóstico de cancro só alcançará os melhores resultados possíveis através de uma abordagem integrada entre cuidados médicos e áreas complementares (nutrição, exercício, fisioterapia, saúde mental, emocional, gestão do sono e do stress). Infelizmente, a grande maioria dos doentes oncológicos não tem acesso a estes cuidados por rotina e, caso os queira procurar, encontrará dificuldades em saber quais os melhores profissionais com a devida diferenciação e experiência em oncologia (o que é extremamente importante por questões de segurança mas, também, para se conseguir atingir os objectivos). Por isto, já desde há alguns anos que sinto essa necessidade e tenho a visão de criar um centro de cuidados holísticos, complementares aos tratamentos hospitalares em oncologia, que felizmente agora já ganhou forma.

6. Qual foi a sua motivação para a criação do projeto ONCO SKIN?

No âmbito da AIM Cancer Center, a promoção da oncologia integrativa passa também pela promoção da literacia nestas áreas, tanto para doentes como para profissionais. Assim, a realização de formações em diversos formatos faz parte do nosso plano de desenvolvimento. Os cuidados com a pele em oncologia têm surgido como uma necessidade percebida por muitos profissionais de várias áreas com os quais contactamos e sem que haja ainda formação de qualidade transdisciplinar no tema. Para quem passa por um diagnóstico de cancro, os cuidados com a pele são frequentemente desvalorizados e existe pouco aconselhamento sobre este tema, o que tem consequências: sem atuação precoce e cuidados preventivos, a probabilidade de toxicidades na pele aumenta e o impacto delas na qualidade de vida também. É urgente trazer melhor informação sobre estes temas aos cuidados de saúde em oncologia, e o Onco.Skin pretende precisamente promover a melhor (in)formação sobre como cuidar da pele após um diagnóstico de cancro. E são vários os profissionais de saúde para quem este tema é relevante: desde médicos de várias especialidades, como para enfermeiros que lidam com estes doentes ainda num contacto mais próximo, farmacêuticos das farmácias comunitárias a quem é frequentemente pedido aconselhamento por parte dos doentes, fisioterapeutas e, também, profissionais de estética.

7. Como gere o seu trabalho na área da investigação, com a gestão do AIM Cancer Center, a organização do ONCO SKIN e a vida familiar?

Em alguns dias com maior facilidade do que outros :) não é fácil... com filhas pequenas há dias (semanas) em que é extremamente desafiador. Só é possível graças à fantástica equipa que tenho o prazer de ter à minha volta, nas várias áreas da minha vida! A toda/os fica o meu obrigada!

8. O que mais a realiza pessoal e profissionalmente?

Sentir que o que faço tem um impacto positivo na vida de alguém e, também, sentir que hoje consigo oferecer mais e melhor do que no passado (a evolução continua face a mim mesma no passado).


Pode conhecer mais sobre a clínica AIM (aqui), um cento de cuidados holísticos e integrados em oncologia com uma equipa profissionais de saúde com formação e experiência em oncologia, das várias áreas, que podem ajudar pessoas com cancro em complemento aos tratamentos hospitalares.


Sobre o congresso ONCO SKIN, parece que temos nova data, em 2025! Fiquem atentos para inscrições na página de Instagram: https://instagram.com/onco.skin?igshid=YmMyMTA2M2Y=


Até lá pode ver alguns vídeos sobre o congresso aqui e aqui! Para profissionais da estética, este aqui pode ser interessante!


Obrigada pela disponibilidade à Dra. Catarina, e a si...obrigada por ler!

Joana


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